元描述: Descubra em qual década foi construído o Cassino da Pampulha, obra-prima de Oscar Niemeyer. Explore a história, o contexto da era Vargas e a transformação no icônico Museu de Arte da Pampulha em Belo Horizonte.
A Década de Ouro: Quando o Cassino da Pampulha Foi Construído
O icônico Cassino da Pampulha, hoje conhecido como Museu de Arte da Pampulha (MAP), foi construído na década de 1940, mais precisamente entre os anos de 1942 e 1944. Este período marcou uma era de profunda transformação urbana e cultural no Brasil, impulsionada pela visão modernista e pelas políticas de desenvolvimento do então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek. A construção do cassino não foi um evento isolado, mas sim a peça central de um audacioso projeto de embelezamento e modernização do conjunto arquitetônico da Lagoa da Pampulha, um ambicioso plano que incluía também a Igreja de São Francisco de Assis, a Casa do Baile e o Iate Tênis Clube. A escolha da década de 1940 é, portanto, fundamental para entender a obra, pois ela coincide com o apogeu do movimento modernista brasileiro na arquitetura e com um momento singular de efervescência criativa e otimismo nacional.
- Início da construção: 1942, durante a Segunda Guerra Mundial.
- Inauguração oficial: 1944, tornando-se um marco instantâneo.
- Contexto nacional: Era Vargas (Estado Novo), com foco em obras públicas e identidade nacional.
- Figura-chave: Juscelino Kubitschek, prefeito de Belo Horizonte (1940-1945), o grande idealizador do complexo.
- Equipe criativa: Oscar Niemeyer (arquiteto), Roberto Burle Marx (paisagista), Candido Portinari (painéis de azulejo) e Paulo Werneck (engenheiro estrutural).
O Contexto Histórico e Político dos Anos 40
Para compreender plenamente a magnitude da construção do Cassino da Pampulha, é essencial analisar o cenário brasileiro da década de 1940. O país vivia sob o Estado Novo de Getúlio Vargas, um regime de exceção que, paradoxalmente, investiu pesadamente em infraestrutura e em símbolos de uma “nova” nação. A arquitetura, com seu poder de representação, tornou-se uma ferramenta de propaganda estatal. Juscelino Kubitschek, como prefeito nomeado, encarnou esse espírito em Belo Horizonte, uma cidade planejada que agora buscava se afirmar como metrópole moderna. A escolha da Pampulha, uma área então distante e de lazer, para abrigar um complexo de edifícios de vanguarda, falava diretamente a esse desejo de progresso e sofisticação. O cassino, em particular, representava a face glamorosa e internacional que se desejava para a capital mineira, atraindo a elite econômica e cultural do país.
O financiamento da obra, conforme estudos do arquiteto e historiador Carlos Kessel, veio majoritariamente de recursos municipais, mas com significativo apoio político do governo federal. A construção enfrentou desafios técnicos consideráveis, como a fundação em solo úmido às margens da lagoa, superados pela engenharia inovadora de Paulo Werneck, que trabalhou em estreita colaboração com as formas arrojadas concebidas por Niemeyer. Este período também foi marcado por uma certa tensão entre a tradição mineira e o modernismo radical das formas do cassino, um debate que se estenderia até a sua transformação em museu.
Oscar Niemeyer e a Arquitetura Modernista na Pampulha
A pergunta “qual década foi construído o Cassino da Pampulha” está intrinsecamente ligada à maturidade artística de Oscar Niemeyer. Nos anos 1940, Niemeyer, então um jovem arquiteto já com projetos relevantes, encontrou em Juscelino Kubitschek o cliente ideal para explorar suas ideias mais ousadas. O cassino é um manifesto de seus princípios: a supremacia da linha curva sobre o ângulo reto, a integração harmoniosa com a paisagem e a leveza visual proporcionada pelo concreto armado. A marquise em balanço, que parece flutuar sobre os espelhos d’água de Burle Marx, tornou-se um ícone mundial da arquitetura moderna.
Conforme analisa a professora doutora em História da Arte, Ana Lúcia de Abreu Gomes, da UFMG, o edifício sintetiza a “plasticidade brasileira”. As curvas livres remetem não apenas ao barroco colonial de Minas Gerais, mas também às formas orgânicas das montanhas e do corpo feminino. A fachada envidraçada, voltada para a lagoa, dissolve os limites entre interior e exterior, um conceito revolucionário para a época. A funcionalidade do espaço, projetado para abrigar salões de jogos, restaurante e um grande salão de festas, foi resolvida com uma planta livre e fluida, onde a estrutura de pilares finos permitia grande liberdade nos ambientes internos. Este projeto consolidou a linguagem característica de Niemeyer e projetou internacionalmente a arquitetura brasileira.
A Contribuição de Burle Marx e Portinari
A obra-prima da década de 1940 não seria a mesma sem a colaboração multidisciplinar. Roberto Burle Marx concebeu os jardins como uma extensão da arquitetura, usando espécies nativas do cerrado e da mata atlântica em composições pictóricas que dialogavam com as curvas do edifício. Seu projeto paisagístico foi uma crítica ao formalismo dos jardins europeus, propondo uma estética tropical e moderna. Já Candido Portinari, um dos maiores pintores brasileiros, criou dois majestosos painéis de azulejos para o interior do cassino: “São Francisco Pregando aos Pássaros” e “Lenda do Saci-Pererê”. Estas obras integradas não apenas decoravam o ambiente, mas narravam, através da arte moderna, temas da cultura e do folclore nacional, reforçando o discurso de brasilidade promovido pelo conjunto.
Do Cassino ao Museu: A Transformação na Década de 1950
Embora construído na década de 1940 como um templo do entretenimento e do jogo, o destino do edifício mudou radicalmente poucos anos após sua inauguração. Em 1946, com a queda do Estado Novo e a redemocratização, os jogos de azar foram proibidos em todo o Brasil pela Lei Contra os Jogos de Azar (Decreto-Lei 9.215). O cassino foi fechado, iniciando um período de ostracismo e incerteza sobre a utilização do valioso patrimônio. Foi apenas na década seguinte, em 1957, que o espaço renasceu com uma nova vocação cultural. Por iniciativa do então prefeito Américo René Giannetti e sob a assessoria da crítica de arte e museóloga mineira, Celita Vaccani, o antigo cassino foi adaptado para se tornar o Museu de Arte da Pampulha.
Esta transformação é um caso emblemático de reapropriação do patrimônio moderno. A adaptação respeitou a integridade arquitetônica original de Niemeyer, utilizando a planta livre a favor da expografia. O grande salão de festas tornou-se a principal galeria de exposições. A abertura do MAP consolidou Belo Horizonte como um polo artístico e garantiu a preservação do edifício, que passou a abrigar uma importante coleção de arte moderna brasileira, com obras de Alberto da Veiga Guignard, Iberê Camargo, Lygia Clark, entre outros. Este capítulo pós-construção é crucial para a história completa do monumento.
Importância Patrimonial e Reconhecimento Mundial
A construção da década de 1940 hoje é reconhecida como um bem de valor universal excepcional. O Conjunto Moderno da Pampulha, tendo o antigo cassino (MAP) como sua âncora, foi tombado pelo IPHAN em 1997 em todas as esferas (municipal, estadual e federal). O ápice desse reconhecimento veio em 2016, quando a UNESCO inscreveu o conjunto na Lista do Patrimônio Mundial, categorizado como Paisagem Cultural. O relatório de avaliação do ICOMOS (Conselho Internacional de Monumentos e Sítios) destacou justamente a colaboração pioneira entre Niemeyer, Burle Marx, Portinari e outros artistas, iniciada nos anos 1940, como um exemplo único de centro cultural integrado do movimento moderno.
O museu recebe, em média, 120 mil visitantes por ano (dados da Fundação Municipal de Cultura de BH, 2023), sendo um dos pontos turísticos mais visitados de Minas Gerais. Sua programação inclui exposições temporárias de arte contemporânea, ações educativas e a manutenção de seu acervo permanente, cumprindo assim a missão cultural que substituiu com louvor sua função original de cassino. A preservação contínua enfrenta desafios, como a manutenção das estruturas de concreto e a conservação dos painéis de Portinari, exigindo expertise técnica especializada e investimento constante.
Perguntas Frequentes
P: O Cassino da Pampulha realmente funcionou como cassino?
R: Sim, mas por um período muito curto. Inaugurado em 1944, funcionou como cassino de jogos até 1946, quando uma lei federal proibiu os jogos de azar em todo o Brasil. Seu auge como casa de jogos durou apenas cerca de dois anos.
P: Por que Oscar Niemeyer usou tantas curvas no projeto?
R: Niemeyer via nas curvas uma expressão mais livre e orgânica, influenciada pelas paisagens brasileiras (montanhas, rios, corpo feminino) e uma rejeição ao racionalismo excessivo do modernismo europeu. Ele afirmava que “a reta nos leva ao infinito, a curva é o universo”.
P: Qual é a relação do Cassino com a Igreja de São Francisco, também na Pampulha?
R: Ambos foram projetados por Oscar Niemeyer e fazem parte do mesmo conjunto arquitetônico encomendado por Juscelino Kubitschek na década de 1940. A Igreja, concluída em 1943, fica a poucos metros do antigo cassino, formando um diálogo visual e conceitual no entorno da lagoa.
P: É possível visitar o interior do Museu de Arte da Pampulha (antigo Cassino)?
R: Sim, o MAP está aberto ao público de terça a domingo, com entrada gratuita aos domingos. Os visitantes podem apreciar a arquitetura interna, os painéis de Portinari, os jardins de Burle Marx e as exposições de arte.
P: Além do cassino, quais outros prédios compõem o Conjunto Moderno da Pampulha?
R: O conjunto, tombado pela UNESCO, é formado por quatro elementos principais: o Museu de Arte (antigo Cassino), a Igreja de São Francisco de Assis, a Casa do Baile (atualmente um centro de referência em urbanismo) e o Iate Tênis Clube, todos integrados pela paisagem projetada por Burle Marx.
Conclusão: Um Legado da Década de 1940 que Perdura
A resposta definitiva para “qual década foi construído o Cassino da Pampulha” nos leva aos inovadores anos 1940, um período fundador da identidade moderna brasileira. Mais do que uma simples data, a construção simboliza um audacioso projeto de cidade, uma convergência rara de talentos artísticos e uma visão política que apostou na cultura como motor do desenvolvimento. A transformação do edifício em museu na década seguinte demonstra a vitalidade e a capacidade de adaptação do patrimônio moderno. Hoje, visitar o Museu de Arte da Pampulha é fazer uma viagem no tempo para a efervescência criativa daquela década, compreendendo como uma obra concebida para o lazer e o jogo se reinventou como um templo da arte e da educação, recebendo o mais alto reconhecimento mundial. Portanto, explorar Belo Horizonte e não conhecer esta joia dos anos 40 é perder a essência da formação cultural e arquitetônica da cidade. Consulte a programação do MAP, planeje sua visita e vivencie pessoalmente este capítulo fundamental da história da arte e da arquitetura no Brasil.
